Ontem quando escrevi a lista dos vencedores de “Cinque Grappoli” do guia Duemilavini 2010 da AIS (Associação Italiana de Sommelier), um dos vinhos que me chamou a atenção foi o Caluso Passito Sulé 2004, do produtor Orsolani.
Conheci o Orsolani em 2004 e admiro muito o trabalho que ele faz para divulgar os vinhos da pequena região de Caluso, no Piemonte, produzidos com Uva Erbaluce.
Ele sempre trabalhou focado na qualidade de seus produtos, sem se deixar influenciar por tendências internacionais. A Uva Erbaluce é muito ácida e algumas pessoas acabam não gostando de seus vinhos, mas a acidez é uma característica que tem outras vantagens, a versatilidade. Com o mesmo vinhedo, é possível produzir vinho branco jovem, espumante método charmat ou método clássico e vinho passito (que no caso foi o premiado pela AIS).
Também li com satisfação, estes dias, que o trabalho de todos os produtores desta pequena região será compensado, o Erbaluce di Caluso passará para a categoria de DOCG (Denominação de Origem Controlada e Garantida).
Conheça um pouco sobre o Erbaluce di Caluso:
Características
Uvas utilizadas: Erbaluce (100%).
Vinho branco de cor amarelo-palha a amarelo dourado. Aroma delicado e característico.
O sabor é seco, fresco e com alto índice de acidez.
Geralmente, apresenta baixo teor alcoólico (11%).
Deve ser consumido muito jovem, preferencialmente até um ano da safra.
O Erbaluce di Caluso também é comercializado na versão Espumante, com graduação alcoólica mínima de 11,5%, utilizando autoclave ou a própria garrafa para a segunda fermentação; na versão Passito, usando uvas colhidas tardiamente ou que secaram em estufas apropriadas, com graduação alcoólica mínima de 17%, passando por um período de envelhecimento obrigatório mínimo de quatro anos; e na versão Passito Riserva, que difere da anterior pelo período mínimo de envelhecimento obrigatório de cinco anos. O Erbaluce Passito possui coloração dourada intensa e aromas de maça e frutas cristalizadas.
Sobre a Uva Erbaluce
Existem registros deste vinhedo a partir de 1600. Ele é cultivado em Canavese, na serra de Ivrea e nas colinas que circundam o lago de Viverone, no Piemonte, na Itália. Possivelmente, a Uva Erbaluce é um clone da Uva Fiano da Região da Campania e foi introduzida no piemonte pelos romanos que a chamavam de Alba Lux (luz da aurora).
A Erbaluce possui elevada acidez fixa e é adequada para a produção de vinhos de diferentes tipologias: dos elegantes espumantes seco, a vinhos brancos jovens até importantes vinhos passito, licorosos ou não, obtidos pela secagem das melhores uvas.
Saiba Mais
A Uva Erbaluce foi por muito tempo, a única uva branca piemontesa de prestígio. Com o passar do tempo despontaram também a Cortese, do Gavi di Gavi e a Arnéis. Devido ao intenso trabalho de divulgação e de comprometimento com a qualidade, ela está voltando a ocupar seu papel de prestígio.
O Erbaluce di Caluso foi o primeiro vinho branco da região a obter Denominação de Origem Controlada (DOC). Ele possui esta regulamentação desde 1967. Naquela época só foram reconhecidos o tipo passito e o branco. O espumante, feito com esta uva, foi adicionado à normativa em uma alteração de 1998.
Mosaico de Fotos
Link
Orsolani: http://www.orsolani.it/
Autora: Adriana Grasso
Contato: adriana.grasso@uol.com.br
Além do DOC, DOCG e IGT (citadas na Parte 1), encontramos outras nomenclaturas nos rótulos dos vinhos Italianos. Veja o significado de algumas delas:
Novello – vinhos muito jovens (geralmente colocados à venda após a fermentação, nos meses de novembro, dezembro). Devem ser consumidos em, no máximo 3 meses.
Riserva - indica que o vinho foi envelhecido por um tempo maior que a versão normal (o período mínimo e o recipiente para maturação são determinados pelo disciplinar de cada tipo de vinho).
Superiore – vinho com graduação alcoólica maior que a versão normal.
Spumante - vinho espumante elaborado pelo método Charmat ou pelo método Champenoise, o mesmo usado para produzir o Champagne, onde a segunda fermentação acontece na garrafa.
Frizzante - vinho ligeiramente espumante .
Passito – vinho elaborado com uvas semi-desidratas (passas).
Vino da Tavola – se o rótulo é omisso quanto à origem e o tipo de uva, pode ser considerado um vinho genérico, muitas vezes resultado de cortes ou misturas de vinhos de origens diferentes. Nem sempre é de qualidade inferior. Alguns vinhos famosos ou de boa qualidade que por diversas razões não podem ter o DOC ou IGT estão sob este rótulo.
Saiba Mais
Existem ótimos vinhos italianos à venda no Brasil com o rótulo de "Vino da Tavola". Um exemplo é o Edizione Cinque Autoctone Vini Farnese, feito com 5 uvas autoctonas provenientes das Regiões de Abruzzo e Puglia (Montepulciano, Negroamaro, Sangiovese, Primitivo e Malvasia Rossa). Ele não pode ser classificado como IGT, pois é produzido com uvas de mais de uma região italiana.
Autora: Adriana Grasso
Contato: adriana.grasso@uol.com.br
