Para comemorar 60 anos de casamento, Franco Biondi Santi abriu para degustação, no mês passado, uma das 6 garrafas ainda existentes de Brunello Riserva 1891.



Segundo os convidados, depois de mais de um século, o vinho ainda estava vivo, vibrante e sem traços de oxidação. A cor era cereja bem fechada, o aroma apresentava notas de mel e castanhas e o sabor mostrava ainda alguma acidez. A persistência do vinho na boca (retro-gosto) foi longuíssima.

Sorte de quem teve o prazer de degustar esta maravilha produzida na Tenuta Il Greppo na cidade de Montalcino, na Toscana.

Em 1888 a Tenutta Il Greppo era administrada por Ferruccio Biondi Santi, enologo e avó de Franco. Ele foi responsável pela criação do Brunello, da maneira como conhecemos hoje, tanto que os vinhos da cantina Greppo são considerados universalmente o arquétipo do Brunello.

A cantina utiliza cortiça de altíssima qualidade para fechar seus vinhos, mas mesmo assim, o Brunello Riserva 1891 degustado teve sua rolha trocada em três ocasiões: 1927, 1970 e 1985. Não sei como este processo é chamado em português. Na Itália ele é conhecido como Ricolmatura, um ritual cheio de charme feito e acompanhado por especialistas, para trocar a rolha antes que ela cause problemas ao vinho, mas sem comprometer a qualidade do mesmo.

Guardado na cantina da Tenuta Il Greppo existem outras preciosidades, como o Brunello di Montalcino Riserva 1888, 1891, 1925 e 1945.

Links
Tenula Il Greppo: http://www.biondisanti.it/

Autora: Adriana Grasso
Contato: adriana.grasso@uol.com.br

Bolgheri - Toscana

Na postagem do dia 1 de julho de 2009 escrevi sobre o Bolgheri Sassicaia, vinho da Tenuta San Guido com características similares aos vinhos franceses da região de Bordeaux, com 85% de Uva Cabernet Sauvignon e 15% de Uva Cabernet Franc, e que possui uma regulamentação exclusiva.
Outros famosos vinhos são produzidos em Bolgheri, como o Ornellaia, Ca’marcanda e Grattamacco. Eles fazem parte da regulamentação mais genérica, a Bolgheri Rosso DOC.



Características
Uvas utilizadas: Cabernet Sauvignon (10%-80%), Merlot (máximo de 70%), Sangiovese (máximo de 70%) e outras uvas da região (0-30%).
Vinho tinto de cor vermelha rubi tendendo ao granada com o envelhecimento. Aroma intensamente vinoso.
O sabor é seco e harmonioso.
Teor alcoólico mediano (13%).
O tempo máximo para consumo, a partir da safra, dependerá da escolha das uvas e do tipo de envelhecimento feitos pelo produtor, uma vez que a regulamentação é muito abrangente.

Saiba Mais
Segue a composição de alguns vinhos de Bolgheri:

. Ornellaia: 56% Cabernet Sauvignon; 27% Merlot; 12% Cabernet Franc; 5% Petit Verdot; com envelhecimento de 18 meses em barris de carvalho e 1 ano em garrafa
. Ca’marcanda: 50% Merlot, 40% Cabernet Sauvignon, 10% Cabernet Franc, com envelhecimento de 18 meses em barris de carvalho e 6 meses em garrafa
. Grattamacco: 60% Cabernet Sauvignon; 20% Cabernet Franc; 10% Merlot e 10% Sangiovese, com envelhecimento de 10 meses em barris de carvalho e 6 meses em garrafa

Durante muito tempo estes vinhos ficaram sem regulamentação, por uma lacuna no disciplinar do primeiro Bolgheri DOC em 1984, que não mencionava especificação para a versão tinta; ele só fazia referência ao vinho branco e ao rose. A correção veio somente em 1990. Durante este período, eles eram vendidos com Vino da Tavola no rótulo e devido as suas características de alta qualidade, eram chamados de Super Toscanos.

Links
Bolgheri: http://www.bolgheri.biz/
Grattamacco: http://www.collemassari.it/
Ornellaia: http://www.ornellaia.com/

Autora: Adriana Grasso
Contato: adriana.grasso@uol.com.br

Bolgheri Sassicaia – Toscana





Em uma pequena região de Bolgheri, na Toscana, numa faixa de terra relativamente próxima ao mar, perto de Livorno, produz-se um vinho que não pode ser chamado de típico italiano, pois suas características são similares aos vinhos franceses bordoleses, com 85% de Uva Cabernet Sauvignon e 15% de Uva Cabernet Franc, mas que é considerado, por muitos críticos, um dos melhores vinhos do mundo.



Estou falando do Sassicaia, resultado de anos de trabalho de um italiano apaixonado por vinhos franceses, Mario Incisa della Rocchetta.

Mario Incisa não percorreu uma estrada fácil até conseguir êxito com seus vinhos. Seu trabalho teve início quando ele era estudante de agronomia e resolveu implantar, na propriedade de sua família, na região de Bolgheri, uvas para a produção de vinhos estilo bordoles. Parecia muito estranho para a época esta decisão, uma vez que a região era muito próxima ao mar.

Os vinhos produzidos por ele, entre 1948 e 1960, ficaram restritos a consumo local e foram duramente criticados por serem extremamente austeros.

Sem deixar-se abater com as opiniões adversas, Mario Incisa continuou pesquisando e aprimorando seus vinhos.

A cada safra ele guardava algumas garrafas em sua cantina e percebeu que os vinhos melhoravam depois de um período de envelhecimento.

Em 1965, Mario plantou novos vinhedos em uma área da propriedade com solo e micro-clima muito parecidos com os da região francesa de Graves, em Bordeaux. O nome escolhido para o vinho produzido a partir destes vinhedos foi Sassicaia.

Sua primeira safra foi em 1968. A partir daí, Mario decidiu reformular a cantina e introduziu o uso de barris de carvalho para o envelhecimento do vinho.

Todo este esforço foi recompensado e o Sassicaia teve reconhecimento mundial. O primeiro a compreender sua importância foi o crítico de vinhos Luigi Veronelli, em 1974; em 1978, a revista inglesa Decanter, classificou o Sassicaia 1972 como o melhor entre uma elite de grandes Cabernet; em 1982 o Pocket Wine Book o definiu como o melhor vinho italiano; e em 1982 a Associação Vinarius o elegeu como o melhor vinho do ano.

A coroação veio quando o Sassicaia recebeu status de primeiro cru italiano e ganhou uma Denominação de Origem Controlada só para ele. É o único caso em que o governo regulamentou um vinho produzido por um vinhedo pertencente a um produtor, o Sassicaia da Tenuta San Guido.

Antes detse imenso sucesso, era possível degustá-lo em vários restaurantes de Livorno e da região. Hoje é praticamente impossível, pois, devido a sua larga procura, o vinho atingiu alto valor de mercado e ficou restrito a uma faixa de consumidores de poder aquisitivo elevado.

Saiba Mais
O vinho tinto Sassicaia não foi produzido nos anos de 1969 e 1973, por causa de problemas climáticos que comprometeram sua qualidade.

Hoje quem administra a Tenuta San Guido é o filho de Mario, Nicolò Incesa.

O Sassicaia ganhou status de DOC em 1994. Antes desta data, ele não tinha uma classificação específica, pois fugia dos padrões dos vinhos da região, e foi vendido por muito tempo como Vino da Tavola. Para não chama-lo assim, o mercado internacional criou um nome para este tipo de vinho, Super Toscano. Outros produtores da região de Bolgheri aproveitaram a onda e também criaram vinhos de alto nível com corte bordoles, que também são chamados de Super Toscanos.

Links
Sassicaia: http://www.sassicaia.com/

Autora: Adriana Grasso
contato: adriana.grasso@uol.com.br

Sua Majestade Nebbiolo



A Nebbiolo é sem dúvida a mais nobre das uvas da região do Piemonte. Seu nome deriva de “neblina”, seja porque a uva amadurece tarde (quando as colinas já estão com as primeiras neblinas do Outono) ou pela cor da uva (com tonalidades cinza que, no conjunto, também lembram a neblina). As primeiras notícias de seu cultivo nesta região vêm dos anos 300. A uva dá o melhor de si na produção de vinhos de grande corpo e estrutura que, durante o envelhecimento, conseguem complexidade e elegância.

Existem vários vinhos produzidos com Uva Nebbiolo, mas devido a legislação italiana para a nomenclatura dos mesmos, não é possível descobrir a uva utilizada somente lendo o rótulo, pois nele é obrigatório constar somente a região de produção.

Para você ter uma idéia, relacionei os vários tipos de vinhos do Piemonte com Regulamentação de Origem Controlada pelo governo italiano (DOC e DOCG) e que levam a Uva Nebbiolo em sua produção.

Não se assuste, pois a lista é grande...



Seguem os detalhes e a região de cada um dos tipos:



Este vinho tem regulamentada uma versão Rose, o Albugnano Rosato, com graduação alcoólica mínima de 11% e é aconselhado para acompanhar refeições mais leves.



Maiores detalhes sobre o Barbaresco DOCG podem ser obtidos na postagem do dia 30 de março de 2009, Barbaresco – Vinho Típico do Piemonte http://vinhositalianos.blogspot.com/2009/03/barbaresco-vinho-tipico-do-piemonte.html









Além da tipologia apresentada, existem outras possibilidades para o Canevese, como: Barbera, Bianco e Rosato.



Existem outras possibilidades para o Colline Novaresi, como: Barbera, Bianco, Bonarda, Croatina e Vespolina.



Existem outras possibilidades para o Colline Saluzzesi, como: Quaglian e Quagliano Spumante.



Além da tipologia apresentada, existem outras possibilidades para o Coste della Sesia, como: Bianco, Bonarda, Croatina, Rosato e Vespolina.





Maiores detalhes sobre o Gattinara DOCG podem ser obtidos na postagem do dia 12 de março de 2009, Gattinara – Vinho Típico do Piemonte http://vinhositalianos.blogspot.com/2009/03/gattinara-vinho-tipico-do-piemonte.html





Além da tipologia apresentada, existem outras possibilidades regulamentadas para a região de Langhe, como: Arneis, Bianco, Chardonnay, Dolcetto, Favorita e Freisa.





Outras possibilidades regulamentadas para a região de Monferrato são: Bianco, Casalele, Chiaretto e Freisa.





Existem outras possibilidades regulamentadas para a região de Pinerolese, como: Barbera, Bonarda, Dolcetto, Doux D'Henry, Freisa, Rami e Rosato.



Outra possibilidade regulamentada para a região de Roero é o vinho branco produzido com uvas Arneis.



Autora: Adriana Grasso
Contato: adriana.grasso@uol.com.br

Capichera Assajè IGT Sardegna



Experimentei o vinho tinto Capichera Assajè IGT Sardegna 2006 por indicação da Enoteca La Mia Crota, localizada na cidade piemontesa de Biella, na Itália.
Fiquei impressionada com o Assajè; ele possui cor vermelho rubi com reflexos violeta, uma vasta gama de aromas, que vão de eucalipto e rosas a frutas vermelhas e especiarias. Na boca é extremamente equilibrado. O vinho é produzido somente com Uvas Carignano e não passa por envelhecimento em madeira.
Também me encantou a filosofia de trabalho dos produtores. Desde o início dos anos 70, a cantina Capichera tem como objetivo produzir vinhos elegantes, de nível internacional, utilizando exclusivamente vinhedos autóctones da Sardegna em pureza e que mantenham as características da uva e do ambiente.
Isto pode parecer comum nos dias de hoje, mas para a época era uma meta arrojada e inovadora.
Para conseguir bons resultados, os vinhedos foram cuidadosamente selecionados e conduzidos para obter o máximo de qualidade e de tipicidade.
Segundo os proprietários, respeitar a tradição não significa ficar parado no passado, mas estar à altura de poder transmitir com seus próprios produtos a sensação da natureza do local, desfrutando o que há de mais moderno em tecnologia.

Sobre a Uva Carignano



É uma uva de origem incerta. Algumas teses falam que ela foi introduzida na região pela Espanha, França ou Tunísia e devido à sua resistência a climas com ventos fortes e escaldantes, ela se deu muito bem na Sardegna.
É neste terreno particular, cheio de pedras, com ventos quentes provenientes do mar que o vinhedo de Carignano cresce enriquecendo-se de aromas intensos e persistentes.

Links
Capichera: http://www.capichera.it/
La Mia Crota: http://www.lamiacrota.it/

Autora: Adriana Grasso
ontato: adriana.grasso@uol.com.br

Na quinta-feira passada, eu bebi um Cerasuolo di Vittoria DOCG 2007 do produtor Planeta. Já havia experimentado este vinho durante um dos Vinitaly que participei, mas ele não tinha chamado tanto a minha atenção. Adoro quando abro uma garrafa, sem tantas expectativas e me surpreendo. E foi o que aconteceu com o Cerasuolo di Vittoria. Ele agradou a mim e a todos que me acompanhavam. Resolvi então, pesquisar um pouco mais sobre ele e escrever uma postagem.



Características
Uvas utilizadas: Nero d’Avola (50% a 70%) e Frappato (30% a 50%).
Vinho tinto de cor cereja e nuances violetas. Aroma floreal e frutado.
O sabor é seco, pleno e aveludado.
Costuma apresentar teor alcoólico elevado (14 %).
Deve ser consumido em quatro ou cinco anos da safra.

Sobre a Uva Nero d’Avola
Também é conhecido com o nome de “calabrese”, talvez pela antiga proveniência da uva ou, mais provavelmente, seja uma tradução errada do dialeto siciliano ("cala" significa uva e "aulisi" indica a região de Avola que fica na província de Siracusa).
O Nero d’Avola é conhecido como "O Príncipe da Viticultura Siciliana" e atualmente é um dos vinhedos mais difundidos na região. No passado, esta uva era utilizada para corte, inclusive sendo bastante exportada para a França.
Possui elevada quantidade de açúcar e acidez na medida certa produzindo vinhos perfumados, frutados e robustos.

Sobre a Uva Frappato
Esta variedade autóctone, conhecida desde século VXIII, pode ter origem na província de Ragusa e Siracusa, na Sicília. Outros defendem que ele foi introduzido a partir da Espanha. A Uva Frappato é muito comum na Sicília, em particular na zona de Vittoria. Sua colheita ocorre no início de setembro e dá um vinho de grande sabor com notas de cereja e romã. É uma das bases do Cerasuolo di Vittoria e faz parte, também, da especificação do Eloro DOC, nero d'avola e/ou frappato e/ou pignatello (90%-100%).

Sugestão de Vinho
O Cerasuolo di Vittoria DOCG 2007 do produtor Planeta, está fantástico. É uma explosão de aromas (principalmente floreais) e ele está extremamente equilibrado na boca.
Imperdível!

Saiba Mais
O Cerasuolo di Vittoria possui DOCG desde 2005. Ele é comercializado também na versão Clássico, que passa por um envelhecimento, de no mínimo, oito meses.

As melhores safras do Cerasuolo di Vittoria nos últimos anos foram: 1997, 2001 e 2007. Quem tiver oportunidade, pode experimentar a safra de 2007 que ainda encontra-se a venda e está pronta para beber.

Galeria de Fotos
Conheça algumas cidades nos arredores de Vittoria, na Sicília.

RagusaRagusaCatania - AcirealeCaltanissetta











Links
Planeta: http://www.planeta.it/

Autora: Adriana Grasso
Contato: adriana.grasso@uol.com.br

Galeria de Fotos - Monferrato

A última vez que visitei Monferrato era Outono, já havia gostado, mas a magia da Primavera me deixou ainda mais encantada por esta Região do Piemonte.
Seguem algumas fotos.

Região de Monferrato - PiemonteRegião de Monferrato - PiemonteRegião de Monferrato - PiemonteRegião de Monferrato - PiemonteRegião de Monferrato - PiemonteRegião de Monferrato - PiemonteRegião de Monferrato - PiemonteRegião de Monferrato - PiemonteRegião de Monferrato - PiemonteRegião de Monferrato - PiemonteRegião de Monferrato - PiemonteRegião de Monferrato - PiemonteRegião de Monferrato - PiemonteRegião de Monferrato - PiemonteRegião de Monferrato - PiemonteRegião de Monferrato - Piemonte







Autora: Adriana Grasso
Contato: adriana.grasso@uol.com.br


 

Vinhos Italianos por Adriana Grasso