Desde o dia 06 de novembro de 2009, o Vinho Novello 2009 está à venda em toda a Itália:



A produção deste ano ficou 4% abaixo da do ano passado. Serão colocadas no mercado 9.163.455 garrafas de Novello, preparadas por 236 produtores da Itália.

O Novello é um vinho com uma sazonalidade muito marcante - é conhecido como o “Sabor do Início do Outono”.

Um grande cuidado deve ser tomado para não fazer confusão: VINHO NOVELLO NÃO É VINHO NOVO - ele nasce de forma diferenciada...

O vinho Novello, da forma como é conhecido hoje, foi inventado quase por acaso, na França. Em 1934, pesquisadores do Setor Agrícola estavam estudando uma forma de conservar os cachos de uvas frescas por um longo período de tempo. Entre os vários experimentos, havia um que deixava os cachos de uva sob uma camada de dióxido de carbono (gelo seco). Depois de algum tempo, os grãos de uva ficavam com um gosto frisante e agradável, mas não podiam mais ser comercializadas como uvas frescas.
Eles decidiram, então, espremer as uvas e produzir um vinho.
Os primeiros produtores que vinificaram este tipo de vinho eram da região de Beaujolais, na França, e foi ela que deu o nome ao vinho recém-criado.

As principais características do Nouveau e do Novello são: vinho fácil de beber, pouco tanino, baixo teor alcoólico e aroma bastante frutado.

Na Itália, este tipo de vinificação foi introduzido em 1975, na Toscana, por Giacommo Tachis, enólogo da Vinícola Marchesi di Antinori.

Diferenças entre Beaujolais Nouveau e Novello Italiano

Na Enologia Italiana, os Novellos podem ser produzidos em todo o País, usando diferentes tipos de uva, que oferecem ao consumidor vinhos um pouco diferentes em características organolépticas. As uvas mais utilizadas são: Aglianico, Cannonau, Barbera, Merlot, Nero D’Avola, Corvina, Refosco, Cabernet Sauvignon e Sangiovese.
A lei que regulamenta este tipo de vinho na Itália, datada de 06 de outubro de 1989, obriga que, no mínimo, 30% do vinho seja feito com a técnica de Maceração Carbônica na uva inteira.

No caso do Nouveau, a zona de produção é restrita à região de Beaujolais e a uva utilizada deve ser a Gamay.

Devido às suas características, este tipo de vinho deve ser consumido entre seis meses e um ano.

Saiba Mais
Para mais informações sobre o processo de Maceração Carbônica, veja a postagem publicada no dia 06 de novembro de 2009 deste Blog, sob o título Vinho Novello e o Processo de Maceração Carbônica, (http://vinhositalianos.blogspot.com/2009/11/vinho-novello-e-o-processo-de-maceracao.html).

Autora: Adriana Grasso
Contato: adriana.grasso@uol.com.br

O vinho Rosso Torgiano Riserva é produzido na zona em torno à cidade de Torgiano, na Província de Perugia. O nome Torgiano deriva da contração de "Torre di Giano”, uma torre que ainda domina a paisagem da região e faz parte das ruínas de um castelo medieval. O cultivo de uva nesta área é muito remoto e vem, pelo menos, da época dos etruscos.
Outro fato importante é que o Rosso Torgiano Riserva foi o primeiro vinho da Umbria a conseguir regulamentação DOCG:



Características
Uvas utilizadas: Sangiovese (de 70 a 100%) e outras uvas da região (de zero a 30%)
Vinho tinto cor vermelho rubi. Aroma vinoso e delicado.
O sabor é seco, harmonioso e equilibrado.
Apresenta teor alcoólico mínimo de 12,5%.
O vinho passa por um período de envelhecimento obrigatório antes de ser colocado à venda – são, no mínimo, três anos, e pelo menos seis na garrafa.
O Torgiano Riserva pode ser consumido, preferencialmente, em até oito anos da safra.

Saiba Mais
Nesta região, além do Rosso Riserva, também são produzidos:
Bianco de Torgiano, com uvas Trebbiano (de 50 a 70%), Grechetto (de 15 a 40%) e outras uvas brancas (de zero a 15%).
Chardonnay di Torgiano, com uvas Chardonnay (mínimo 85%) e outras uvas brancas (de zero a 15%).
Pinot Grigio di Torgiano, com uvas Pinot Grigio (mínimo 85%) e outras uvas brancas (de zero a 15%).
Riesling Italico di Torgiano, com uvas Riesling (mínimo 85%) e outras uvas brancas (de zero a 15%).
Torgiano Spumante, produzido com o método clássico e segunda fermentação na garrafa, à base de uva Chardonnay (de 40 a 50%), Pinot Nero (de 40 a 50%) e outras uvas brancas (de zero a 15%).
Rosato di Torgiano, com uvas Sangiovese (mínimo 50%), Canaiolo (de 15 a 30%), Trebbiano (de zero a 10%) e outras uvas tintas (de zero a 15%).
Rosso di Torgiano, com uvas Sangiovese (mínimo 50%), Canaiolo (de 15 a 30%), Trebbiano (de zero a 10%) e outras uvas tintas (de zero a 15%).
Cabernet Sauvignon di Torgiano, com uvas Cabernet Sauvignon (mínimo 85%) e outras uvas tintas (de zero a 15%).
Pinot Nero di Torgiano, com uvas Pinot Nero (mínimo 85%) e outras uvas tintas (de zero a 15%).
Estes vinhos possuem regulamentação DOC desde 1968.

Mosaico de Fotos da Região



Autora: Adriana Grasso
Contato: adriana.grasso@uol.com.br

A Maceração Carbônica consiste num processo em que os cachos de uvas inteiros são colocados dentro de uma cuba vedada e saturada de anidrido carbônico. Esta operação induz os levedos presentes na casca dos grãos de uva a penetrar no grão em busca de água e oxigênio, iniciando, assim, um processo de fermentação intracelular.

Depois de um intervalo de tempo, as uvas que passaram por este processo são prensadas. Elas geram um suco parcialmente doce que acabará seu processo de fermentação (transformação de açúcar em álcool) pela ação dos levedos noutra cuba.
O resultado é um vinho frutado e fresco, com um volume alcoólico mínimo de 11% e pouco tanino e residual de açúcar (menos de 10 g/l).

No vinho Novello, os aromas secundários, resultado da técnica de vinificação utilizada, se sobressaem aos aromas primários, relativos ao tipo de uva utilizada.

O tempo de produção é muito rápido e o vinho Novello pode ser comercializado pouco depois da colheita das uvas, o que não quer dizer que ele seja simples de produzir.

Não é fácil obter todas as características desejadas para este tipo de vinho, uma vez que ele deve ser leve e frutado, de cor não muito clara e nem muito escura, que não seja pobre em estrutura e que represente a primeira taça de vinho de uma nova colheita!

Segue o esquema do processo de produção de vinhos Novello e Nouveau:



Para facilitar a análise das diferenças, segue abaixo o processo de produção tradicional dos vinhos tintos:



Autora: Adriana Grasso
Contato: adriana.grasso@uol.com.br



Segunda-feira (02/11/09), o Programa Vinhos que apresento na allTV, foi especial e teve duas horas de duração, das 10h às 12h. Como era feriado, escolhi para o tema Enoturismo.
O primeiro lugar que mostrei foi o Vale dos Vinhedos, no Rio Grande do Sul:



Vale dos Vinhedos é uma região da Serra Gaúcha que fica entre os municípios de Bento Gonçalves, Garibaldi e Monte Belo do Sul. É ali que se concentra a maior produção de vinhos finos do Brasil.
Pela sua proximidade com Porto Alegre, pela sua cultura, pela sua história e pelo seu charme, com bons hotéis, pousadas e restaurantes, o Vale é um dos melhores destinos para Enoturismo no Brasil!
Várias vinícolas fazem visitas guiadas com degustação e venda dos produtos.
Existem boas opções para Enoturismo no Vale dos Vinhedos e arredores, como o Caminhos de Pedra, que procura resgatar a herança cultural dos colonos italianos, o roteiro dos Vinhos de Montanha, que inclui, entre outras, a Vinícola Aurora, e as Visitas Guiadas à Chandon, que fazem parte da Rota dos Espumantes.

Em seguida mostrei as opções de Turismo do Vinho na Região de Mendoza na Argentina:



A Argentina é o maior produtor de vinhos da América do Sul e também possui um alto consumo per capita (30 litros por ano).
A Argentina iniciou seu cultivo de uva no século XVI impulsionado pelos espanhóis, mas no país encontra-se uma grande variedade de uvas trazidas por imigrantes de outros países.
Sua fama vem, principalmente, dos vinhos produzidos pela Uva Malbec, que, possivelmente, encontrou seu terroir perfeito nas vinhas quentes e secas de Mendoza, a maior região vinícola da Argentina.
Os investidores estrangeiros estão presentes em várias vinícolas argentinas e ajudaram a impulsionar a exportação de vinhos para o resto do mundo.
Mostrei vídeos com visitas à Bodega Septima, Lagarde, Bodega Lopez e à Vina El Cerno, além de alguns pontos turísticos da região de Mendoza.

Saindo da Argentina, mostrei a Quinta do Portal, em Portugal, que está na lista dos dez melhores lugares destinos para Enoturismo da revista Forbes:



A Quinta do Portal é uma casa portuguesa, familiar e independente que abraçou com toda a paixão o conceito de "Boutique Winery", se dedicando à produção de vinhos DOC Douro, Vinhos do Porto de categorias especiais e Moscatel. A Quinta do Portal fica situada no Vale do Rio Pinhão, na estrada que liga Sabrosa ao Pinhão, a cerca de uma hora e meia de viagem desde o Porto. No Centro de Visitas, é possível adquirir vinhos, fazer degustações, evisitar as caves e o Centro de Vinificação... Ao mesmo tempo, é possível desfrutar as magníficas paisagens de vinhas do Vale do Pinhão.

Da Espanha, escolhi um vídeo da Ciudad del Vino, na Região de Rioja:



A Cidade do Vinho é um complexo composto pela antiga bodega, assim como um novo edifício desenhado pelo arquiteto canadense Frank O. Gehry. Nela se encontra um hotel, um spa de vinhoterapia, um restaurante e um centro de reuniões e convenções. É um château do século XXI, onde se pode desfrutar das diferentes experiências que o vinho oferece.

No Programa, também mostrei vídeos e dei sugestões de Enoturismo no Chile, Região de Conguaga e na Itália, Região da Toscana, do Alto Adige e do Piemonte.

Hora da Dica
Na dica do Programa, passei a lista publicada neste ano pela revista Forbes com os dez melhores lugares do mundo para Enoturismo:
1. Castello Banfi, Toscana (Itália)
2. Montes, Colchagua Valley (Chile)
3. Ken Forrester, Stellenbosch (Africa do Sul)
4. Fournier, Mendoza (Argentina)
5. Leeuwin Estate, Margaret River (Austrália)
6. Felton Road, Central Otago (Nova Zelandia)
7. Bodegas Ysios, Rioja (Espanha)
8. Quinta do Portal, Duero (Portugal)
9. Château Lynch-Bages, Bordeaux (França)
10. Peter Jakob Kuhn Oestrich, Rhein/Mosel (Alemanha)

Saiba Mais
Eu apresento, ao vivo, o Programa Vinhos, na allTV, todas as segundas-feiras, das 11h às 12h.

Link
allTV: http://www.alltv.com.br/

Autora: Adriana Grasso
Contato: adriana.grasso@uol.com.br

Tipos de Tartufo

Tartufo Bianco, nome científico tuber magnatum pico:



Conhecido também como Tartufo d 'Alba ou do Piemonte, pois cresce em abundância nesta região (Langhe e Monferrato). Pode ser encontrado em quantidades reduzidas em algumas áreas da Itália Central e no Sul da França. O Tartufo Bianco tem um aspecto globoso, com depressões numerosas e é muito irregular. Apesar desta característica, sua superfície externa é lisa e ligeiramente aveludada. Sua cor varia entre o ocre pálido e o creme escuro: em alguns casos, adquire colorações esverdeadas. O interior pode ser branco ou amarelo cinzento com alguns filetes brancos. Seu perfume é agradavelmente aromático e diferente de toda a espécie restante. Vive em simbiose com carvalhos e outras árvores da região e, muito raramente, se encontra perto de outro tipo de tartufo. O Tartufo Bianco precisa, para nascer e crescer, de terras particulares e de certas circunstâncias climáticas: a terra deve ser macia e úmida durante grande parte do ano e deve ser rica em cálcio e com boa circulação de ar. Todas estas características fazem do tartufo bianco o mais raro, precioso e procurado tartufo. É colhido de setembro a dezembro.

Tartufo Nero, nome científico tuber melanosporum vitt:



Conhecido também como Tartufo di Norcia, di Spoleto ou Truffe de Perigord. Há um aspecto homogêneo com verrugas em forma de polígonos. Sua cor externa é escura, mas o interior é claro e seu perfume é intenso e aromático. Cresce em colinas e montanhas em simbiose com árvores de nozes e avelãs. Depois do Tartufo Bianco, é considerado o mais precioso em nível comercial. O período de colheita é de dezembro a março.

Tartufo Bianchetto, nome científico tuber borchii vitt:



É um tartufo muito procurado na Toscana, Emilia-Romagna e em Marche, mesmo tendo um valor comercial muito inferior ao Tartufo Bianco. Pode ser confundido com ele porque possui as mesmas características de irregularidade e cor mas, quando maduro, se torna mais escuro e mais fácil de ser reconhecido. Por fora, passa de uma coloração clara durante o crescimento e escurece à medida que amadurece. O aroma é a característica que o melhor diferencia do Bianco, pois é nauseante. Cresce em terrenos calcários dos bosques. O período de colheita é de janeiro a março.

Tartufo Nero Invernale, nome científico tuber brumale vitt:



Pode ser confundido com o Tartufo Nero porque divide o mesmo habitat e o mesmo tipo de plantas para simbiose. Sua superfície é cheia de verrugas e possui cor escura e perfume de noz moscada. Cresce durante o Inverno e em climas temperados. Seu valor comercial é cerca de metade do Tartufo Nero.

Tartufo Estivo ou Scorzone, nome científico tuber aestivum vitt:



Pode chegar a dimensões incríveis e é muito similar ao Tartufo Nero. Sua superfície possui verrugas piramidais e cor escura. O perfume é aromático e intenso. Distingue-se do Tartufo Nero porque seu interior não escurece com a maturação, mas assume uma coloração amarelo escura. Cresce em terrenos arenosos e argilosos em bosques. É muito apreciado e usado na produção de molhos. O período da colheita é de maio a dezembro.

Autora: Adriana Grasso
Contato: adriana.grasso@uol.com.br

Sobre o Tartufo

Rei da culinária e do gosto, o Tartufo é um fungo subterrâneo com forma de tubérculo constituído de uma massa carnosa. Vários são os tipos de Tartufo: Tartufo Bianco, Tartufo Nero, Bianchetto, Scorzone e Tartufo Invernale. O Tartufo nasce e cresce nas proximidades das raízes das árvores e pode ser considerado um parasita. Vive em simbiose com a planta que o acomoda; sua cor, seu perfume e seu sabor dependem diretamente do tipo de árvore onde ele nasce e cresce.
A colheita é feita com ajuda de um cão farejador, treinado especialmente para encontrar tartufos.

O Tartufo é conhecido desde o fim da antiguidade, tanto que aparece citado em textos da Babilônia do século XVII a.C. e em textos gregos e romanos. No começo do século XVIII, ele era famoso em todas as cortes européias e foi usado como presente diplomático dos turineses. Retornando aos dias de hoje, não podemos deixar de mencionar Giacomo Morra, cidadão de Alba - a ele se deve o nome "Tartufo d’Alba", e foi dele a idéia de presentear a atriz Rita Haywort, em 1949, com o maior tartufo coletado durante aquele ano. Desde aquela data, grandes personalidades mundiais são presenteadas com os maiores tartufos brancos encontrados no Vale do Langhe, o que fez com que o Tartufo Bianco d’Alba ficasse conhecido em nível mundial. É um fruto que não se pode cultivar, mas que aparece todos os anos como um generoso presente da natureza.

Caso você nunca tenha provado, faça-o prestando muita atenção: primeiramente, no perfume e, depois, no gosto - seus sentidos saberão se deliciar com esta maravilha da natureza! Feche os olhos e parecerá que você esta voando sobre as colinas verdes e aconchegantes onde o tartufo nasce...

Harmonização entre Tartufo e Vinho

O Tartufo deve reinar de forma soberana em qualquer prato! Ele pode estar acompanhado de outros ingredientes, mas estes não podem sobressair ao perfume e ao sabor do Tartufo.

A mesma regra vale para sua harmonização com vinho: seja ele branco ou tinto, deve ter aroma intenso e ser persistente, mas ter pouca estrutura.

Com um prato de talharim fresco com laminas de tartufo, aconselha-se usar a harmonização clássica da região: o Dolcetto do Langhe.

Mosaico de Fotos



Autora: Adriana Grasso
Contato: adriana.grasso@uol.com.br

O Prosecco Cartizze é produzido na sub-zona de Cartizze, uma pequena área de 107 hectares de vinhedos, localizada entre as íngremes Colinas de San Pietro Barbozza, Santo Stefano e Saccol, no município de Valdobbiadene:



Ele é um espumante diferenciado feito com Uvas Prosecco que crescem num microclima muito particular numa área de solo arenoso muito antigo, composto por elementos típicos de um leito marinho. Essas condições possibilitam uma drenagem rápida e eficaz da água das chuvas e faz com que as vinhas se desenvolvam de forma equilibrada.
Na sub-zona de Cartizze, a colheita da Uva Prosecco ocorre mais tarde, quando elas estão bem maduras. Esta escolha irá conferir ao vinho uma concentração de aromas e sabores de intensidades incomuns.
Um vinho branco será produzido com elas e ficará nos tonéis, adquirindo maturidade até o final do Inverno. Na Primavera, ele é misturado com levedos e açúcares e é levado para uma autoclave, onde ocorrerá a segunda fermentação, que dará origem ao vinho espumante.
No final do processo, o espumante é filtrado e engarrafado. Antes de ser colocado à venda, dele passará por um período de armazenamento de 30 a 40 dias, em local escuro, dentro da cantina.



O Prosecco Cartizze tem cor intensa e aroma amplo e complexo com notas de maça, pêra, abricó, cítricas, rosas e amêndoas. Seu sabor é agradável e persistente.

Autora: Adriana Grasso
Contato: adriana.grasso@uol.com.br


 

Vinhos Italianos por Adriana Grasso