Apesar de ser uma única região, os italianos que vivem na Emilia-Romagna costumam dizer que são da Emília, caso morem mais ao Norte ou próximo de Milão ou Romagna, caso estejam abaixo de Bologna, no Sudeste da região. As uvas predominantes também diferem - na Emília, reina a Lambrusco, e na Romagna, a Sangiovese.
A Uva Sangiovese desta região é um clone da Sangiovese encontrada na Toscana. Suas características organolépticas são muito variadas e vão de vinhos bem leves aos de boa estrutura. Seus grãos são menores, mas na mão dos melhores produtores de Romagna, produzem vinhos de alta qualidade que não ficam nada a dever em relação aos Toscanos.



Características
Uvas utilizadas: Sangiovese (85-100%)
Vinho tinto de cor vermelha rubi com reflexos roxos. O aroma é vinoso com notas de violetas. O sabor é seco harmonioso, ligeiramente tânico, com retro-gosto agradavelmente amargo.
Teor alcoólico baixo (12%).
A grande maioria deve ser consumida ainda jovem, em até quatro anos da safra.
O Sangiovese de Romagna também é comercializado na versão Novello, com graduação alcoólica mínima de 11% e que deve ser consumido em, no máximo, seis meses; na versão Superiore, com graduação alcoólica de pelo menos 0,5% a mais que o tradicional, passando por um período de envelhecimento obrigatório mínimo de seis meses; e na versão Riserva, com um período mínimo de envelhecimento obrigatório de dois anos - neste caso, o vinho pode ser consumido em até dez anos da safra.

Sobre a Uva Sangiovese
A Uva Sangiovese se tornou popular no final do século XVIII.
Há várias hipóteses sobre a origem de seu nome.
Diz uma lenda que os frades que habitavam o Monte Giove, na Colina de Santacangelo di Romagna cultivavam esta uva na região.
Durante a visita de um ilustre convidado, este se encantou pelo vinho oferecido e perguntou o nome da uva. Os frades ficaram num dilema, pois nunca tinham pensado em dar um nome para ela. Um deles, para salvá-los do constrangimento, inventou na hora o nome Sanguis di Jovis. A partir daí, o nome ficou Sanguis di Giove para fazer referência ao Monte onde habitavam - alguns anos depois, o nome evoluiu para Sangiovese.

Saiba mais
Sangiovese di Romagna foi o primeiro vinho tinto da região a obter Denominação de Origem Controlada (DOC). Ele possui esta regulamentação desde 1967.

Mosaico de Fotos



Autora: Adriana Grasso
Contato: adriana.grasso@uol.com.br

O espumante está substituindo o vinho branco e o tinto, como vinho do dia-a-dia, na mesa do italiano.



O motivo para esta mudança se deve a sua versatilidade na harmonização com os pratos, uma vez que ele é a solução para quase todos os tipos de comida, assim como sua vasta gama de tipologia e relação qualidade X preço.

Nós últimos anos, os produtores adequaram o valor do produto para a nova realidade do mercado e esta diminuição também chegou às importadoras, que adequaram o valor de venda deixando e espumante com um preço mais atrativo...

Dentre os espumantes preferidos pelos italianos estão:
1. Franciacorta
2. Trento
3. Conegliano e Valdobbiadene (Prosecco)
4. Asti
5. Oltrepò Pavese

Outro dado interessante é que os espumantes produzidos no método clássico, com a segunda fermentação na garrafa, são mais procurados do que aqueles feitos no método charmat, com a segunda fermentação em autoclaves.

A venda de espumante fora da Itália também cresceu 15% no primeiro semestre deste ano em comparação ao mesmo período do ano passado. Os principais mercados consumidores são Alemanha, Estados Unidos, Inglaterra e países emergentes.

Muitos destes dados foram divulgados durante o Fórum dos Espumantes, que ocorreu de 05 a 07 de setembro de 2009, em Valdobbiadene, na Itália.

Autora: Adriana Grasso
Contato: adriana.grasso@uol.com.br

Programa VINHOS na allTV


Estou apresentando, ao vivo, todas as segundas-feiras, das 11h às 12h, na allTV (http://www.alltv.com.br/), um Programa chamado VINHOS:



Neste Programa, falo sobre vinhos do mundo todo, tenho um bloco reservado para Turismo do Vinho, outro para dicas em gerais e outro para harmonização.

Pretendo levar muita gente interessante para o Programa a fim de compartilhar seus conhecimentos e experiências nesta área.

Na semana passada falei sobre a Região de Rioja na Espanha, e mostrei o Hotel Marqués de Riscal, na Ciudad del Vino.

Hoje foi meu quinto programa e o tema era a Região Italiana do Alto Adige.

Comecei passando um vídeo sobre Enoturismo nesta Região, também conhecida como SudTirol e depois falei sobre os vinhos típicos do lugar, como: Lagrein, Schiava, Müller Thurgau e Gewürztraminer.

Tenho um apego especial pelo Alto Adige - apesar de ser de origem piemontesa, são as montanhas do Alto Adige as que mais me encantam! Também gosto muito do resultado que os produtores estão conseguindo alcançar com seus vinhos.
Ultimamente, eles estão muito focados em qualidade e o resultado é perceptível. Os preços também são convidativos; você consegue comprar bons vinhos por menos de R$ 100,00.

Sempre tenho alguns vinhos para mostrar durante o Programa e hoje levei três vinhos da Elena Watch, importados pela Decanter: os brancos Müller Thurgau Alto Adige DOC 2007 e o Gewurztraminer Kastelaz Alto Adige DOC 2007 e o tinto Lagrein Alto Adige DOC 2006.

Saí da allTV e cheguei em casa já pensando em qual vinho ia abrir para acompanhar meu almoço. Tinha pedido pelo Neka Delivery (Neka To Go) duas tortas: quinoa com legumes sem glúten e vegetais com queijo. Para harmonizar, decidi pelo Müller Thurgau. As tortas estavam tão boas e o entusiasmo foi tanto que abri também o Gewurztraminer Kastelaz. Ele ficou divino com a torta de quinoa:





Quem quiser acompanhar os próximos Programas, basta acessar no horário o site da allTV: http://www.alltv.com.br/.

Baci a tutti e ótima semana!

Adriana Grasso

Links
Alltv: http://www.alltv.com.br/
Decanter: http://www.decanter.com.br/
Neka Delivery: http://nekatogo.blogspot.com/

Gewürztraminer - Alto Adige

A Uva Gewürztraminer é especial sob muitos aspectos. A sua presença nos vinhos é facilmente reconhecida devido às suas características aromáticas. É capaz de produzir vinhos brancos de grande estrutura e cor amarelo-dourado e aroma muito intenso, frutado, floral e herbáceo, com notas de frutas tropicais, rosa, flores de acácia e especiarias. O gosto exprime um bom equilíbrio com base em suas notas frescas e minerais.
Devido a estas características, é necessário muito cuidado com sua vinificação para não gerar um vinho exageradamente aromático. Desta forma, produzir um bom vinho Gewürztraminer é uma arte reservada para poucos produtores...
Acredita-se que a Uva Gewürztraminer deriva da Traminer, originária da Região de Termeno, no Tirol. Hoje ela pode ser considerada internacional - encontramos vinhos produzidos com ela em vários países. Os mais famosos são os da Alsácia, na França, do Alto Adige, na Itália, e os do Reno, na Alemanha.



Características
Uvas utilizadas: Gewürztraminer (85% - 100%)
Vinho branco com cor que vai de amarelo-palha a dourado. Aroma intenso de flores, frutas brancas e especiarias.
O sabor é pleno e seco. Existe uma versão “abboccato”, semi-doce.
Geralmente, apresenta baixo teor alcoólico (11,5%).
Deve ser consumido preferencialmente jovem, de dois a quatro anos da safra.

Cuidado!
Observe que há alguma confusão entre o uso dos nomes Traminer e Gewürztraminer: embora sejam duas uvas distintas, Gewürztraminer, muitas vezes, é definida, na Itália, pelo nome Traminer Aromático.

Saiba Mais
Existem os seguintes DOCs regulamentados para a Uva Gewürztraminer na Região do Alto Adige, na Itália: Gewürztraminer dell'Alto Adige, Alto Adige Valle Isarco Gewürztraminer, Alto Adige Val Venosta Gewürztraminer.

Mosaico de Fotos da Região do Alto Adige



Autora: Adriana Grasso
Contato: adriana.grasso@uol.com.br

O sistema italiano para determinar o nome dos vinhos é baseado em sua região de produção, e não nas uvas utilizadas. Esta forma de denominação, que também é utilizada em outros Países da Comunidade Européia, está focada na idéia de que os vinhos refletem a região onde as uvas foram cultivadas, ou seja, o tipo de solo, a inclinação do vinhedo, sua altitude e a quantidade de sol e chuva que recebeu.

A Itália possui mais de 350 regiões produtoras oficialmente regulamentadas e o nome de uma única região pode englobar vários tipos de vinhos.
Não é a toa que muitas pessoas consideram os rótulos italianos os mais difíceis para entender...

Os vinhos italianos são classificados em DOCG (Denominação de Origem Controlada e Garantida), DOC (Denominação de Origem Controlada), IGT (Indicação Geográfica Típica) e Vino da Tavola. Este sistema é uma garantia de AUTENTICIDADE, e não está atrelado a qualidade dos vinhos.

Além desta classificação, outras informações são obrigatórias nos rótulos dos vinhos:

. tipo de vinho, que, no caso da Itália, é a região produtora, seguido da classificação oficial da zona (DOCG, DOC ou IGT);
. se o vinho não tiver uma regulamentação, ele terá uma indicação de Vino da Tavola;
. nome do produtor;
. nome, razão social e localização da sede do engarrafador;
. graduação alcoólica expressa em percentual volumétrico;
. quantitativo do produto expresso em litros, centilitros ou mililitros;
. em algum lugar da garrafa deve ser registrado o número do lote do vinho;
. se o vinho possuir mais de 10 mg/litro de anidrido sulfuroso, ele deve indicar no rótulo "Contiene Solfiti";

Estes dados podem estar no rótulo que está na frente da garrafa ou no contra-rótulo, aquele que fica atrás.

Informações facultativas:

. safra, para os vinhos que usam em sua composição uvas colhidas no mesmo ano; o Vino da Tavola não pode especificar este dado;
. nome da uva;
. nome do vinhedo;
. nome da sub-região de produção, desde que permitida pela legislação;
. nome fantasia;

Você também pode encontrar uma série de palavras, em italiano, dando mais informações sobre o vinho. As mais comuns são:

. Amabile: Semi-doce
. Azienda: Produtor
. Bianco: Branco
. Chiaretto: Rosé
. Classico: Produzido na zona mais antiga e tradicional da Região
. Dolce: Doce
. Fattoria: Propriedade
. Novello: Vinhos muito jovens, geralmente colocados à venda após a fermentação, e que devem ser consumidos em, no máximo, três meses
. Passito: Feito com uvas que passaram por um processo de secagem
. Riserva: Vinho que teve um processo de envelhecimento maior que a versão normal
. Rosso: Tinto
. Superiore: Com teor alcoólico maior que a versão normal
. Tenuta: Propriedade

Exemplos de Rótulos









Saiba Mais

Para mais detalhes sobre a classificação dos vinhos italianos, veja as postagens deste Blog dos dias 24 de janeiro de 2009 "Classificação dos Vinhos Italianos – Parte I" e 02 de março de 2009 "Classificação dos Vinhos Italianos – Parte II".

Autora: Adriana Grasso
Contato: adriana.grasso@uol.com.br

O Ruchè Castagnole Monferrato está entre os últimos vinhos a receber reconhecimento DOC na Região d Piemonte.
A qualidade deste nobre vinho deverá colocá-lo, em breve, na lista dos melhores vinhos do Piemonte.
A Uva Ruchè amadurece em meados de setembro, dependendo das condições climáticas, e há uma tendência para uma colheita tardia a fim de garantir um maior equilíbrio entre o teor alcoólico e a acidez dos vinhos produzidos.



Características
Uvas utilizadas: Ruchè (90-100%)
Vinho tinto de cor vermelha rubi clara com reflexos roxos e alaranjados. Aroma intenso, persistente e frutado.
O sabor harmonioso, ligeiramente tânico, com níveis de acidez e álcool bem equilibrados.
Teor alcoólico baixo (12%).
Deve ser consumido jovem, geralmente, em até quatro anos da safra.

Sobre a Uva Ruchè
Ruchè é uma das variedades de uvas autóctones mais raras dentre as cultivadas na Região de Monferrato, no Piemonte.
Deriva, provavelmente, de uma videira trazida de Bologna por monges e plantadas vizinhas ao Monastério de San Rocco, que hoje não existe mais.
Os terrenos calcários, seco e com elevada exposição solar garantem um vinho de alta qualidade, mas de produção limitada.
No passado, o vinho produzido com Uvas Ruchè era para consumo familiar, mas devido a sua originalidade, está fazendo muito sucesso fora da Região de produção e também no exterior.

Saiba Mais
O vinho Ruchè é produzido em duas versões: seco e doce. O primeiro é adequado para acompanhar assados, carnes de caça e queijos; a versão doce é mais aconselhada como vinho de sobremesa.
O Ruchè di Castagnole Monferrato conseguiu reconhecimento DOC em 1987.

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Autora: Adriana Grasso
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O vinho tinto leva o nome do Lago di Caldaro, que fica na Província de Bolzano, Alto Adige, embora sua área de produção se estenda a algumas cidades da Província de Trentino. A vocação desta Região para a Vinicultura tem raízes antigas: algumas descobertas arqueológicas provaram que a uva era cultivada neste local muito antes da chegada dos romanos.



Características
Uvas utilizadas: Schiava (85-100%), Pinot Nerot e/ou Langrein (0-15%);
Vinho tinto de cor vermelha rubi clara. Aroma delicado, agradável e característico.
O sabor é leve, seco e com toques amendoados.
Teor alcoólico baixo (12%).
Deve ser consumido jovem, geralmente, em até três anos da safra.

Sobre a Uva Schiava
Mais que uma videira, seria apropriado falar de um grupo de variedade de videiras das quais fazem parte a Schiava Gentile, a Schiava Grossa e a Schiava Grigia.
A Uva Schiava tem origem antiga - existem menções de sua existência em óperas datadas de 1300.
Seu nome deve derivar do tipo de cultivo das plantas, que sempre recebia uma podadura muito severa a fim de obter vinhos de qualidade superior, daí o nome Schiava (escrava).
Ela produz vinhos de cor vermelho rubi, com aroma frutado e característico, sabor suave e ligeiras notas de amêndoa.

Saiba Mais
O vinho tinto Lago di Caldaro possui classificação DOC desde 1993.
Ele também é conhecido como Kalterersee.
O Caldaro DOC é um vinho muito bom para acompanhar as refeições. Ele também é produzido nas tipologias:
. Scelto - com um teor alcoólico mínimo de 11,5 graus
. Classico - se for proveniente de uma área específica delimitada pelas regras de produção
. Classico Superiore - quando submetidos a envelhecimento

Mosaico de Fotos da Região



Autora: Adriana Grasso
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Vinhos Italianos por Adriana Grasso